O Profissional do Futuro nas Cooperativas Brasileiras: desafios e tendências Chama o Marketing setembro 20, 2025

O Profissional do Futuro nas Cooperativas Brasileiras: desafios e tendências

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Por Gustavo Abib

Instituto de Inteligência do Cooperativismo - UFPR

 

O cooperativismo brasileiro não é pequeno: reúne mais de 20 milhões de cooperados de acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro em 2024. Este número cresceu 14,5% em relação ao ano anterior e responde por parcelas relevantes da produção agropecuária, movimenta bilhões no crédito e grande expressão na área da saúde também. O movimento cresce em setores como saúde e consumo. Mas o desafio que se impõe vai além da escala: quem serão os profissionais capazes de conduzir as cooperativas na era digital e do propósito?

Future of Professionals Report 2025 alerta: organizações com estratégias claras de adoção de inteligência artificial (IA) têm 3,5 vezes mais chances de obter retorno real sobre seus investimentos e gerar mais impacto. Mais que ferramentas, é preciso preparar profissionais e lideranças que saibam integrar a tecnologia ao DNA cooperativista — colocando-a a serviço da eficiência, da inovação e, sobretudo, do engajamento humano que sustenta o movimento.

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O que muda no perfil profissional das cooperativas?

  1. Fluência digital com propósito
    Não basta dominar a tecnologia. O diferencial será saber usá-la para fortalecer a relação com o cooperado. Isso significa traduzir dados em personalização de serviços, em previsibilidade de necessidades e em processos mais eficientes. O profissional cooperativista digital não é só técnico: é estrategista.
  1. Liderança transformadora e ética
    Líderes que dão exemplo no uso de novas tecnologias são 1,7 vezes mais propensos a gerar resultados positivos. Nas cooperativas, isso significa gestores e conselheiros preparados para liderar a transformação digital sem perder a essência dos princípios. O desafio está em inovar com propósito.
  1. Human skills como diferencial
    Se IA e automação cuidam do repetitivo, caberá ao profissional cooperativista desenvolver o que nenhuma máquina entrega: empatia, comunicação e capacidade de engajar múltiplas gerações de cooperados. O futuro será de quem souber unir digital e humano em uma só proposta de valor. A essência do cooperativismo está na confiança, ou seja, precisará usar a tecnologia para amplificar relações humanas, e não as substituir.
  1. Alinhar propósitos cooperativistas e competências
    profissional do futuro nas cooperativas terá que atuar como um “tradutor de propósitos”, alguém capaz de alinhar os princípios históricos do movimento (interesse pela comunidade, participação democrática e econômica, educação e intercooperação) com as competências críticas da era digital. Aqui pode-se utilizar dados de IA não apenas para aumentar a eficiência, mas para personalizar soluções para os cooperados que reforcem inclusão e fortalecimento local.
  1. O desafio do reskilling
    Mais de 40% dos profissionais já percebem lacunas tecnológicas em suas equipes. Para as cooperativas, a urgência é clara: investir em reskilling e upskilling contínuos, formar conselheiros integrados ao digital, engajar jovens talentos e criar academias internas de aprendizado. O futuro profissional não se encontra pronto — ele se desenvolve.

Baseado no relatório Future of Jobs, do The World Economic Forum (WEF), destacamos as principais competências alinhadas ao cooperativismo.

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Três insights para gestores de pessoas que atuam no cooperativismo:

  1. Invista em cultura digital, não apenas em tecnologia. Sem fluência coletiva, ferramentas perdem impacto. Aqui o exemplo é o Sicredi que redesenhou equipes em squads/tribos, adotando Scrum, Kanban, Lean e Kata, para acelerar produtos digitais — uma mudança cultural antes de ser tecnológica.
  1. Prepare lideranças para a transformação. 
    Conselheiros e gestores precisam ser embaixadores da inovação. O agro tem investido intensamente em agricultura de precisão, com mapeamento por satélites, análises georreferenciadas de solo, pulverização com drones. Ao mesmo tempo tem preparado a equipe de tecnologia agrícola para ser a ponte da inovação com o cooperado. Outro exemplo vem das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal lançaram a iniciativa CoopMode, focada em fortalecer a cultura de inovação com cursos, capacitações e palestras.
  1. Reforce a centralidade do humano. 
    O maior ativo de uma cooperativa continua sendo a confiança dos cooperados. A área da saúde traz bons exemplos, entre eles o PA Digital em várias singulares da Unimed é desenhado para acesso facilitado + atendimento humanizado; a automação faz triagem, mas o cuidado é com profissionais ao vivo e protocolos clínicos.

O profissional do futuro das cooperativas brasileiras será híbrido: tecnológico e humano, inovador e ético, orientado a dados e movido por propósito. As cooperativas que conseguirem formar e atrair esse perfil estarão mais bem posicionadas para provar que, na era da inteligência artificial, o cooperativismo é não apenas viável, mas a forma mais humana de prosperar na economia digital.

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